Sempre tive saudades do que não vivi.
Sempre pensei de maneira tão positiva, que me espanto com os jogos que minha cabeça e meu coração fazem para que eu sobreviva com alegria.
Uma vez me perguntaram se eu tinha esperança. Respondi que se um dia fosse condenado à cadeira elétrica, tinha a certeza que faltaria luz para sempre.
Não sou um otimista desvairado, mas uso minha intuição para a resolução dos caminhos que tenho que escolher. Deixo o tempo me ajudar, porque se não tenho a certeza na hora, ele vai me mandar um sopro para me indicar o que fazer.
Meus erros foram muitos. Já achei que era para sempre, e na verdade era só o agora (o que também significava naquele momento que era para sempre). Já cometi quase todos os 7 pecados capitais, e vários dos 10 mandamentos já infringi.
Se pudesse voltar no tempo, não consertaria nada, principalmente meus erros, porque foi com eles que aprendi a não cometer a mesma bobagem.
Não gostaria de viver de novo os prazeres, porque com o tempo eles ficam maiores, melhores do que talvez fossem. É melhor deixá-los como saudade.
Mesmo hoje, sonho de olhos abertos e uso o presente como meta. Meu objetivo é o presente, aquele que vivo e que irei viver. Não o futuro, mas o hoje. O privilégio de ter conhecido lugares e gente que nunca falei antes é tão precioso quanto os eternos amigos que sempre aqui estarão.
Cada vez mais vejo o quanto é importante dar realmente valor a cada respirada que damos. Cada beijo que trocamos com quem amamos. As fotos, filmes retratam um momento. O registro das coisas é importante. Nele estão cheiros, gostos, enfim, todos os sentidos.
Eles servem para que a memória não seja apenas individual, seja coletiva. Os fatos históricos existem através da comprovação.
E a nossa comprovação individual está sempre nos registros e no coração.
Coluna de Serginho Groisman. Fique ligado nos escritos e reflexões do apresentador do Altas Horas!
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